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Previsões Económicas Confirmam Cenário de Recessão da Economia Portuguesa para 2011

Previsões económicas confirmam cenário de recessão da economia portuguesa para 2011
Portugal continuará em divergência com a União Europeia até 2012
Taxa de desemprego continuará a aumentar até 2012
Redução prevista dos salários nominais para 2011 pela primeira vez nos últimos 50 anos

De acordo com as previsões de Outono da Comissão Europeia para 2010-2012, apresentadas a 29 de Novembro, a economia portuguesa entrará em recessão em 2011, com uma contracção prevista do PIB a preços constantes de 1%. Para 2012, prevê-se um crescimento anémico de 0,8%. As previsões da Comissão reforçam assim o cenário de recessão que já tinha sido apresentado nas previsões do FMI e da OCDE, que apontavam para uma contracção de 0,1% e 0,2% respectivamente. De acordo com estas previsões Portugal continuará a crescer menos que média dos países que compõem a União Europeia, ou seja, acentuará o processo de divergência que se verificou na última década. As taxas médias de crescimento económico têm vindo a desacelerar de década para década. As previsões apontam também para a continuação do crescimento do desemprego, com uma taxa de desemprego de 11,1% em 2011 e 11,2% em 2012. Previsões mais uma vez corroboradas pelo FMI e pela OCDE, que apontam taxas de desemprego para 2011 de 10,9% e 11,4% respectivamente. É de salientar que a taxa de desemprego estimada para 2010, de 10,5%, é a mais elevada dos últimos 50 anos. Ao nível das remunerações do trabalho, as previsões apontam para uma redução da compensação salarial real por empregado de 2,6% em 2011 e 0,3% em 2012. A redução prevista é a maior desde 1984, altura em que estava a ser aplicado em Portugal o segundo programa de ajustamento estrutural do FMI (1983-1985). Mas as previsões apontam também para uma redução nominal de 1,3%, pela primeira vez nos últimos 50 anos. Estas previsões confirmam que a redução dos salários nominais dos trabalhadores em funções públicas, no quadro do Orçamento de Estado para 2011, terá impacto no nível salarial dos restantes trabalhadores. Prevê-se assim que a produtividade do trabalho, medida pelo PIB por pessoa empregada, cresça 1% ao ano entre 2010 e 2012, enquanto a compensação salarial decresça 0,6% ao ano, o que se traduzirá numa transferência dos ganhos de produtividade do trabalho para o capital, ou seja, um crescimento dos lucros líquidos de 3,1% ao ano em igual período (medidos pelo excedente operacional líquido ajustado do efeito dos trabalhadores por conta própria). Esta transferência implicará uma redução de quase 3 pontos percentuais do peso da compensação salarial no PIB de 2010 para 2012 (tendo por base a quota salarial ajustada), fixando-se nos 57,1%, o valor mais baixo desde 1990.

Porto, 03 de Dezembro de 2010

Gabinete Técnico da União dos Sindicatos do Porto/CGTP-IN